A situação de mais de 20 mil pessoas que vivem nos arredores da Refinaria Gabriel Passos e que sofrem com a poluição causada pelo refino do petróleo, chega a ser, em muitos casos, desesperadora. É o caso da dona de casa Edineusa Santos, residente do bairro Petrovale, obrigada a usar um lenço para conseguir respirar toda vez que sai de casa.
O pedreiro Weliton Correntes, morador do mesmo bairro, também se queixa. “A comunidade está abandonada e não sabemos a quem recorrer”.
O problema pelo qual passa boa parte da população de Betim tem a mesma idade da Regap, que iniciou suas atividades no município em 1968. Como explica o secretário municipal de Meio Ambiente, Ednard Barbosa, “a Regap sabe dos problemas que ela provoca, mas não toma providências”.
O mal-cheiro, explica Barbosa, tem a ver com o enxofre, resíduo do refino de petróleo que é estocado pela refinaria em áreas descobertas e susceptíveis a chuvas e correntes de ar.
É justamente o dióxido de enxofre (SO2) o poluente que aparece com mais frequência nas análises do ar feitas por técnicos da PUC Minas e da Secretaria Municipal de Meio-Ambiente. “Depois de retirado do processo de refino, esse enxofre é vendido para a indústria química, que o utiliza na produção de ácido sulfúrico”, explica o biólogo Vitor de Andrade Coelho.
Vistoria. O secretário de Meio Ambiente explica que, em vistoria realizada recentemente, foram identificadas várias falhas na impermeabilização de depósitos de enxofre e nos tanques. “A chuva provoca o escorrimento dos resíduos para a rede pluvial. Os elementos químicos penetram no subsolo e contaminam o lençol freático”.
A contaminação também é facilmente percebida analisando a vegetação dos arredores. “Nas áreas que recebem os ventos a vegetação rasteira predomina. Isso é visto até mesmo pelo Google”, explica.
Ednard Barbosa disse que fotos aéreas, feitas nesta semana, deixam claro a falta de impermeabilização das bacias de contenção dos tanques de combustíveis. “Estimamos os prejuízos em R$ 900 milhões. Vamos levar todas as nossas informações para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), para a presidente da Petrobras, Congresso Nacional, ao governador de Minas e também para o presidente da Assembleia, que mora perto da Regap e sabe do que estamos falando”, conclui.
Resposta. Em nota, a Regap informou que “cumpre todos os requisitos federais, estaduais e municipais, e que as atividades da petroquímica são regularmente monitoradas pelos órgãos ambientais competentes, estando a refinaria devidamente licenciada ambientalmente para suas operações”.